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sábado, 19 de março de 2016

Algumas anotações litúrgicas para o Domingo de Ramos


(1) A cor dos paramentos é vermelho, cor da paixão, do sangue, do Espírito de amor que faz dar a vida pelos irmãos.

(2) Em cada igreja somente pode haver uma procissão de ramos, feita antes da missa principal. No caso de uma outra missa importante, pode-se fazer nova bênção dos ramos e a entrada solene, como está na "Segunda forma" do Missal Romano: à porta da igreja os fiéis se reúnem, trazendo ramos nas mãos. O celebrante dirige-se para lá com os acólitos, abençoa os ramos, lê o Evangelho próprio e entra com o povo para a missa.

(3) A igreja deve estar discretamente ornamentada com ramos, não com flores.

(4) Para a procissão, é aconselhável que o padre use o pluvial. Somente chegando à igreja, depois de beijar e incensar o altar, tira o pluvial e coloca a casula.

(5) Na procissão, o padre vai à frente, com um ramo na mão, precedido pelos acólitos e seguido pelo povo.

(6) Os cânticos devem ser os próprios para esta celebração. Estão no missal. Existem CDs com composições próprias para esta momento.

(7) O padre, após revestir-se com a casula, já inicia a missa com a oração da Coleta.

(8) Importante: Ainda que não haja bênção dos ramos, o Evangelho da Missa é sempre a Paixão e nunca o da entrada de Jesus em Jerusalém. Nunca se deve esquecer: não há missa de ramos! A missa é da Paixão; de ramos é a procissão!

(9) A Paixão pode ser lida por várias pessoas, mas nunca dramatizada! A liturgia não é um teatro! Isso seria uma completa e total deturpação do que é uma celebração litúrgica!

(10) Os ramos devem ser levados para casa, colocados num lugar digno e devolvidos à paróquia antes da Quarta-feira de Cinzas do ano seguinte, para ser transformado em cinzas.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Homilia III Domingo da Quaresma


Ex 3,1-18a.13-15
Sl 102
1Cor 10,1-6.10-12 

O tempo da Quaresma recorda muitas vezes o tempo da travessia do deserto por parte de Israel: tempo de peregrinação, de provação e de purificação. O livro do Deuteronômio recorda isto com palavras muito fortes: “Lembra-te de todo o caminho que o Senhor teu Deus te fez percorrer durante quarenta anos no deserto, a fim de humilhar-te, tentar-te e conhecer o que tinhas no coração. Portanto, reconhece hoje no teu coração que o Senhor teu Deus te educava, como um homem educa seu filho” (Dt 8,2.5). No deserto, portanto, Deus usou as provas pelas quais Israel passou, para revelar ao seu povo aquilo que estava escondido no seu próprio coração, isto é, seu pecado, sua fraqueza, sua infidelidade. Mas, também no deserto, Deus cercou seu povo de carinho e proteção, alimentou-o com o maná e saciou-o com a água do rochedo, guiou-o pela nuvem luminosa de noite e protetora contra o sol de dia… Tempo de noivado e de amor entre Deus e o seu povo, foi o tempo do deserto! Por isso, pensar nessa travessia pelo deserto serve tanto para a nossa preparação para a Páscoa.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Homilia II Domingo da Quaresma


Gn 15,5-12.17-18
Sl 26
Fl 3,17 – 4,1
Lc 9,28b-26

Antes de tudo, duas observações: (1) A Palavra de Deus, neste Domingo, apresenta-nos um contraste muito forte entre escuridão e luz: escuridão da noite do Pai Abraão e luz do Cristo transfigurado; (2) chama atenção, num tempo tão austero como a Quaresma um evangelho tão esfuziante como o da Transfiguração. Não cairia melhor na Páscoa, este texto? Por que a Igreja o coloca aqui, no início do tempo quaresmal?

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Homilia I Domingo da Quaresma


Dt 26,4-10
Sl 90
Rm 10,8-13
Lc 4,1-13

Neste início de Quaresma, a liturgia faz-nos pensar na Páscoa. Isto porque o tempo quaresmal não é um fim em si mesmo, mas é caminho de luta e combate espiritual para bem celebrarmos, com o coração dilatado, a Páscoa do Senhor, maior de todas as festas cristãs.

Na primeira leitura, o Deuteronômio apresenta-nos o rito de oferta das primícias da colheita: ao apresentar ao Senhor Deus o fruto da terra, o israelita piedoso confessava que pertencia a um povo de estrangeiros e peregrinos, vindos do Pai Jacó, que não passava de um arameu errante. O israelita fiel recordava diante de Deus a história de Israel, história de escravidão e de libertação: “Meu pai era um arameu errante, que desceu ao Egito… Ali se tornou um povo grande, forte e numeroso. Os egípcios nos oprimiram. Clamamos ao Senhor… e o Senhor ouviu a nossa voz e viu a nossa opressão… E o Senhor nos tirou do Egito… E conduziu-nos a este lugar e nos deu esta terra…

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

O Santo Advento


No próximo domingo dia 29 inicia-se o Tempo do Advento, o Advento abre o novo ano litúrgico da Igreja e nos prepara para o Natal.

Este tempo é composto por quatro semanas. Neste período, a Igreja pode muito bem exprimir seus sentimentos com as palavras da esposa do Cântico dos Cânticos: "Eis a voz do meu Amado! Ele vem correndo pelos montes... Meu Amado é meu e eu sou dele!" (2,8s.16). Ele vem vindo, o Amado, "porque Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho único" (Jo 3,16) para ser o Esposo da humanidade, o Salvador do mundo. O Autor da Epístola aos Hebreus exprimiu isso de modo muito profundo: "Muitas vezes e de modos diversos falou Deus, outrora, aos Pais pelos profetas; agora, nestes dias que são os últimos, falou-nos por meio do seu Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e pelo qual fez os séculos" (1,1-2). Efetivamente, Deus já não nos manda um mensageiro, um intermediário, um presente... ele vem pessoalmente no seu Filho, vem ele mesmo ser o Emanuel, o Deus-conosco! Por isso o homem pode ter a certeza que não mais está só, que não mais pode se sentir desamparado, esquecido, perdido... apesar de tanta dor e sofrimento ainda existentes no nosso mundo!